segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Filme de horror com Sandy e Antônio Fagundes segura tensão do começo ao fim e estará nas telas do cinema no fim deste mês


  Em "Quando Eu Era Vivo", de Marco Dutra, Júnior (Marat Descartes) procura abrigo na casa do pai (Antonio Fagundes) após um divórcio traumático. No lugar do pai que esperava, entretanto, encontra um homem estranho, rejuvenescido à base de exercícios físicos e bronzeamento artificial. No quarto que dividia com o irmão, Pedro (Kiko Bertholini), agora vive a inquilina Bruna (Sandy Leah), jovem estudante de música que veio do interior para se formar. Após encontrar objetos que remetem ao passado e à sua mãe, Júnior desenvolve uma obsessão pela história de sua família e tenta recuperar algo que aconteceu em sua infância e que, até hoje, o assombra.

  Gravado no ano passado num apartamento na avenida São Luiz, no centro de São Paulo, o longa de suspense Quando Eu Era Vivo, de Marco Dutra, chega aos cinemas brasileiros dia 31. No elenco, a estreia de Sandy como uma estudante de música que aluga um quarto na casa de Senior, interpretado por Antonio Fagundes. É aí que fantasmas do passado voltam a rondar os dois, inclusive a volta do filho do inquilino, que traz segredos da vida de Senior. "É meu primeiro suspense, mas fui aceita como uma atriz e não como uma cantora. Agora tenho 30 anos e mais vivência", disse ela, que volta dez anos depois de estrelar Acquaria ao lado do irmão, Junior. Para ela encarnar a personagem, Dutra pediu a Sandy que assistisse a O Bebê de Rosemary, de Roman Polanski, como referência.


Sandy em cena de Quando eu era Vivo (Foto: Divulgação)

  Junior começa a desenterrar dentro de casa objetos de sua infância ao lado do irmão, que foi internado num sanatório, e da mãe já morta, que gostava de mexer com ocultismo. Pouco a pouco, ele começa a perder a sanidade mental, assustando o pai e levando Bruna junto com ele.

  "Quando Eu Era Vivo" é um exemplo raro de filme de horror, ou um suspense psicológico com toques de terror, dentro do cinema brasileiro. Segura a tensão do começo ao fim, desvendando aos poucos um mistério macabro de arrepiar os cabelos. A sugestão de eventos sinistros dentro de um apartamento lembra o clima de "O Bebê de Rosemary", de Polanski. Na sessão em Tiradentes, o público riu em alguns momentos que deveriam ser tensos, mas o horror cresce até desembocar numa cena final grotesca e muito surpreendente – houve fortes aplausos ao final.

  Para quem está acostumado com lado angelical de Sandy, é mais que divertido vê-la flertar com o lado negro da Força. Mas o show é mesmo de Marat Descartes (ator de "Trabalhar Cansa" e "Os Inquilinos"), que dá aos poucos a medida da loucura de seu personagem. Fagundes, que não fazia cinema desde a comédia "A Mulher do meu Amigo" (2008), faz um grande retorno às telas.

  Vale a pena deixar os filmes do Oscar de lado e conferir "Quando Eu Era Vivo" a partir da próxima sexta. O ano está só começando, mas não é loucura dizer que é desde já um dos melhores filmes brasileiros de 2014.

Fonte: Época/UOL