sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Pop "com um quê de alternativo"


  O título do segundo álbum da carreira solo de Sandy - Sim - é um tanto revelador. "Sim significa estar aberta para o que mundo tem a oferecer, para os novos desafios, para as tentativas até as últimas consequências antes de falar não", disse a cantora e compositora ao Mais Cruzeiro sobre o trabalho que reflete o estado de espírito da artista que surgiu ainda pequenina, angariou uma multidão de fãs e cresceu sob os olhos atentos de público e críticos. Ela ainda guarda o rosto - e a voz delicada - de boneca de porcelana, mas a fragilidade é uma impressão. Depois de passar por muitas reflexões, que chegaram com a possibilidade de se lançar na carreira solo, exatamente quando estava prestes a virar uma balzaquiana, Sandy tornou-se uma mulher madura e afirma que se sente bem mais tranquila no novo papel, que começou em 2009 quando lançou o álbum Manuscrito.

  "Além desse primeiro trabalho, os 30 anos foi de fato um divisor em minha vida." Foi nesse período que ela compôs a canção Aquela dos 30 lançada em EP, presente no segundo álbum e no show que ela apresenta amanhã, na sede campestre do Clube União Recreativo, a partir das 21h30. Aliás, além do repertório dos dois álbuns, Sandy promete cantar alguns covers e canções do tempo em que fazia dupla com o irmão, Junior Lima. "Se eu não tocar os fãs me batem", ela ri, tratando logo de explicar que a expressão era uma brincadeira. A cantora traz sucessos da fase adolescente da dupla Sandy & Junior como Quando você passa, Não dá pra não pensar e A lenda - que representam o momento saudosista do show. "Percebo que o público tem, em média, de 25 a 30 anos. São pessoas que cresceram junto comigo e que ainda são muito fiéis."

  Foi por conta de um trabalho tão enraizado com o irmão, comenta Sandy, que pensar na carreira solo foi um processo não muito fácil no início. "Eu tive muitas dúvidas, inseguranças, uma ansiedade que nem sempre era positiva pra mim. Eu me perguntava como seria esse novo momento, se o público iria gostar", revela. "Seguir uma carreira nova é como começar uma vida nova." Desafios iniciais superados, a viagem por esse novo momento foi se tornando mais tranquila. "Foi até gostoso passar por tudo isso porque veio o sentimento de superação. Estou curtindo muito e me entregando. Pra mim foi uma vitória pessoal." Segundo Sandy, o segredo para superar essa ansiedade foi vivenciar cada etapa a seu tempo. "Só tive que enfrentar uma coisa de cada vez e por fim eu vi que é importante viver a experiência completa." Faz parte dessa experiência o caminho trilhado com a turnê do primeiro álbum solo, que permitiu à cantora um entendimento sobre sua carreira e a chegada dos 30 anos. "Foi hora de pensar no que eu já tinha vivido e no que ainda tinha e tenho por viver, por fazer."

Sem rótulos

  Sim tem dez faixas, entre elas músicas do EP Princípios, meios e fins, lançado do ano passado, e mais composições inéditas como Escolho você, Pés cansados e Segredo. Sandy diz ser difícil definir o estilo do álbum. "Rotular pode limitar, mas posso dizer que é pop, no sentido de ser popular, com um quê de alternativo." No palco, Sandy estará acompanhada de Alex Heinrich no baixo, Delino Costa na bateria, Eloá Gonçalves nos teclados e Edu Tedeschi e Maurício Caruso nas guitarras e violões. Entram em cena tecidos fluidos, leves, transparentes e sobrepostos, acompanhados de móbiles num cenário que ganha força por meio de um projeto luminotécnico.

  Apesar de reconhecer estar mais segura, Sandy admite ser muito autocrítica. Assumindo ser uma verdadeira perfeccionista, a cantora tem trabalhado o seu lado "nunca acho que está bom". O que ela não abre mão é de participar de todas as etapas que envolvem seus trabalhos, sejam discos ou turnês. "Não é por ser exigente demais. Eu gosto de participar, de colocar a mão na massa para que o resultado tenha minha identidade." A turnê Sim tem direção geral de Romi Atarashi (que já trabalhou com Lenine, Lulu Santos, Marcelo D2, NXZero, Ira!, Sandy & Junior, entre outros) e direção musical de Lucas Lima, músico, compositor e produtor musical - além de marido de Sandy. Não é a primeira vez que eles trabalham juntos. Em 2011, ele a dirigiu num projeto em que que ela fez releituras das canções imortais de Michael Jackson - e que arrancou elogios de público e crítica. "Foi um trabalho incrível. Gosto tanto desse projeto que não consigo me desprender dele. No show em Sorocaba vou fazer um dos covers do Michael."

Sandy está nos filmes "Quando eu era vivo" (inspirado em livro de Lourenço Mutarelli) e "Mato sem cachorro"

  Nesse novo momento, Sandy arrumou tempo para exercer algo que gosta bastante: interpretar. Sandy está no filme Quando eu era vivo, que será lançado em janeiro de 2014. "Além de ter o gostinho de trabalhar ao lado de Antônio Fagundes e Marat Descartes, tive outra surpresa. O diretor Marco Dutra perguntou seu eu tinha alguma música para o filme. Eu disse que não, que tinha apenas uma poesia. Ele viu, gostou e ele mesmo musicou para a trilha sonora do longa." Inspirado no romance A arte de produzir efeito sem causa, de Lourenço Mutarelli, o filme conta a história de Junior (Descartes), que após se divorciar e perder o emprego volta para a casa de seu pai, Senior (Fagundes).

  Lá, ele relembra fatos de seu passado ao mesmo tempo em que desenvolve uma obsessão por Bruna (papel de Sandy), estudante de música que aluga um quarto na casa de Senior. "O filme é um suspense, gênero pouco produzido no Brasil, e foi uma delícia fazê-lo. Também foi muito bom participar de um outro filme. Que bom que já posso contar. Faço uma participação no filme Mato sem cachorro, do diretor Pedro Amorim, e que acaba de estreiar (aliás, o filme estreia hoje em Sorocaba). É uma participação rápida, como eu mesma, mas adorei porque o filme é muito divertido." A ideia da artista é seguir por esse caminho e conciliar música e interpretação. De toda forma, a primeira paixão fala mais alto. "Ser cantora é minha prioridade."

Serviço

Turnê Sim, da cantora Sandy
Amanhã, partir das 21h30 (abertura dos portões às 20h)
Sede Campestre do Clube União Recreativo (rua Francisco Paulo Braion, 650)
Ingressos: Mesa Setor Dourado: R$180/ Mesa Setor Branco: R$ 150/ Mesa setor Azul: R$ 130 / Mesa VIP: R$ 120/ Mesa 1° Galeria: R$ 100/ Mesa 2° Galeria: R$ 90/ Camarote A: R$ 100/ Camarote B: R$ 80/ Camarote C: R$ 70.
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Fonte: Cruzeiro do Sul