sexta-feira, 21 de junho de 2013

“Quero que as pessoas vejam meu trabalho com olhos nus, sem preconceito”, diz Sandy


  Trinta anos. Quem podia imaginar que um dia aquela menininha que cantava “Maria Chiquinha” ao lado do irmão iria crescer e hoje, com três décadas de vida, possuir uma carreira de 23 anos, com 17 álbuns lançados, 17 milhões de discos vendidos e milhares de shows pelo Brasil afora.

  Esse é um pequeno resumo da trajetória de Sandy, que acaba de lançar “Sim”, seu segundo álbum em carreira solo. “O que mudou, principalmente nesses dois álbuns, um em relação ao outro, fui eu. Eu estou diferente, estou vivendo um momento diferente”, conta a cantora.

  Em fase de preparação de um novo trabalho desde o ano passado, a cantora decidiu inovar e pela primeira vez deu uma prévia do que seria seu disco com o EP (extended Play) “Princípios, Meios e Fins”, que mostrou cinco músicas que estariam presentes em “Sim”. “Enquanto eu preparava meu disco no ano passado, comecei a reunir minhas composições e compor mais sons para completar o álbum. Essas primeiras cinco músicas ficaram prontas e eu decidi não esperar, e lançar, sem que as outras estivessem prontas. Quis lançar em um EP, no final de outubro, para mostras as novidades para os meus fãs”, explica a artista, que ainda afirma que hoje o mercado dá bastante liberdade para que os cantores possam trabalhar de diferentes formas. “Lancei o EP em outubro. Depois, fui terminando de compor e ajustando o que faltava, e quando ficaram prontas terminei de gravar, no mês de março”.

Novo álbum

  “Sim”, essa foi a palavra escolhida para nomear o novo trabalho solo da cantora, que segundo ela, resume muito bem a fase que vive atualmente. “A escolha desse nome veio por causa da música, porque tem uma música nesse CD com o nome de ‘Sim’, que eu compus com o meu irmão e com o Lucas. É uma música que eu gostei e muito especial para mim no disco. E esse nome, Sim, acho muito forte e simples ao mesmo tempo. É uma palavrinha tão pequena, carregada de sentido. E reflete esse momento tão positivo. Então decidi dar esse nome para o disco e também para a turnê”, afirma.

  Entre seus maiores desejos em relação ao CD, está a aceitação do público. “Quero que as pessoas vejam meu trabalho com olhos nus, sem preconceito”.

  A turnê de nome homônimo ao disco teve início em Vitória – em abril –, percorre todo o Brasil e já passou por capitais como São Paulo e Rio de Janeiro com casas lotadas. No repertório, canções do primeiro álbum solo “Manuscrito”, músicas do EP e a partir do lançamento do CD cheio, músicas inéditas passam a integrar o set list, que também conta com versões de “All Star”, de Nando Reis, “Angel”, de Sarah Mclachlan, e “Se Deus me Ouvisse”, de Chitãozinho e Xororó. “Com certeza vou colocar músicas novas, inéditas do CD Sim nas próximas apresentações. Agora quanto a escolha das versões que vão para o repertório, além das minhas músicas, procuro colocar algumas que gosto de ouvir, que significam algo para mim. Nesse show, especificamente, quis colocar canções que tivessem algum significado especial, que fizeram parte da minha trajetória. Então pensei: ‘puxa, podia cantar alguma coisa do meu pai, afinal ele foi minha primeira influência musical, meu primeiro ídolo. Como já tinha cantado essa música com ele no DVD dele, o Lucas tinha feito um arranjo que combinava muito com meu estilo atual. E peguei o arranjo, dei uma adaptada e assim o inseri no show”, revela Sandy.

Trabalho

  Apesar de ter as composições gravadas em períodos distintos, Sandy explica que “Sim” foi pensado como um todo. “Ele é um disco que teve início, meio e fim, é bem coeso. A produção toda, o estilo das músicas, foi imaginado para ser um disco todo coerente em si”.

  Em relação às letras, a cantora explica que todas, sem exceção, têm um pedacinho de sua personalidade embutida. “Meu trabalho artístico, como compositora e como cantora, refletem um pouco de como estou me sinto no momento. Então todas as músicas são um pouco autobiográficas. Umas mais, outras menos. Algumas contam mais minha história, outras menos. Em outras utilizo de personagens, mas eu estou em todas as músicas”, afirma. Ela complementa que no álbum atual, as mais biográficas são “Aquela dos 30” e “Escolho Você”.

  Questionada sobre os versos “Eu vivi fugindo de arrependimentos/ Sem me redimir/ Me perdi, navegando em erros/ Sem buscar o leme”, que fazem parte da canção que dá nome ao álbum, ela conta que este ponto não é necessariamente autobiográfico. “Claro que eu tenho arrependimentos, mas não consigo pensar em um para falar agora. As músicas refletem sentimentos meus, mas não significa que eu vivi fugindo de arrependimentos. Enfim, foi uma coisa que eu achei poética e legal colocar para contrapor a coisa do sim. Uma oposição à ideia de viver afogada em arrependimentos, angústias e tal, mas até que eu vi a vida se abrir pra mim, eu disse sim, e a vida mudou. É isso que eu quero dizer, que tem que focar no que é bom. Foi só uma mensagem que eu escrevi para mim mesma”, completa a cantora.

Fonte: Diário Comercial