sábado, 11 de maio de 2013

Sandy: faixa a faixa de “Princípios, Meios e Fins”


  Já falamos aqui de “Princípios, Meios e Fins“, o mais recente trabalho da carreira solo da Sandy. Citamos especificamente o belo clipe de “Aquela dos 30“, que fala da neura de se fazer 30 anos, idade que acreditem, Sandy atingiu.

  Pois bem, agora vamos olhar mais de perto, ou melhor, escutar com mais atenção o novo EP da cantora, composto por cinco músicas (quatro oficiais e uma bônus), lançado em outubro do ano passado.

  “Poxa, mas só cinco músicas?”. Pois é, não é muito para uma carreira cheia de números como a da Sandy – 17 milhões de discos vendidos em mais de 22 anos de carreira. Mas acreditem, essa cinco faixas foram suficientes para que o EP chegasse à primeira posição no iTunes Brasil. E de verdade? Não acho que fica atrás de nenhum disco repleto de canções. Sabe quando você ouve o CD todo de um artista mas de verdade mesmo você só gosta de quatro ou cinco canções? Aqui não tem esse problema. Bastam 15 minutos para você se apaixonar por cada uma das faixas de ”Princípios, Meios e Fins”.

  Para mim, o EP sofre claramente uma evolução. Não de qualidade, mas de humores e sentimentos. A alegre e humorada “Aquela dos 30″ foi a música de divulgação, a primeira a ser lançada, pois de fato, é a mais cativante do trabalho. Mas meu conselho é ouvi-la para se encantar e logo partir para as outras faixas. Consigo ler as músicas como cada dia da semana, que traz suas especificidades, dores e humores.


  “Olhos Meus” é a mais melancólica. Parece até que Sandy canta não com o olhar de alguém que fez 30 anos e lamenta não ter visto tudo que queria ainda, mas com a vontade de conhecer, de deixar que os olhos mostrem o mundo ao redor. É basicamente a voz dela e um piano, é sem dúvida a faixa que abre o disco para dizer “essa – quase – menina, tem voz, e na maioria das vezes, isso é o que basta. É uma música que fala de mágoas, e do melhor parte delas, quando são deixadas para trás.

  Observação: Música para ouvir sozinho, no quarto, você a Sandy e seus sentimentos. Grandes chances de chorar.



  Bom, depois da melancolia da madrugada sombria e esperançosa de um domingo, é hora de acordar na segunda. Melhor acordar com esperança de uma ótima semana, ainda que a segunda seja sempre o pato feio. É geralmente nessa hora que a gente fica lembrando do que rolou no final de semana. Como se fosse lembrar da vida mesmo. Aqui em um ritmo meio blues, Sandy dá voz a alguém que viveu, mudou, tem muita coisa mas no fim ainda se sente só. O “Segredo”? Assim como no filme “Brilho Eterno de Uma Mente sem Lembranças“, é que um grande amor são simplesmente insuperáveis e impossíveis de se apagarem.

  Observação: Assim como o filme citado, para ouvir com algum grande amigo, de preferência que saiba dessas histórias de amores secretos inabaláveis.



  “Saudade” é a faixa-bônus, mas que combina com aquele quarta-feira nem lá nem cá, que a gente não entende se estamos satisfeitos pelo começo da semana ter passado, ou ansiosos pelo final dela. Daí da uma saudade né? Do que exatamente? O fato é que essa tal de saudade realmente sempre chega quando a gente já esqueceu dela…

  Observação: Boa pra ouvir e sair correndo atrás daquela pessoa que você tá prometendo faz tempo de encontrar.



  Ah, “Escolho Você” dá aquela sensação de certeza, maturidade, sabe? Só que viveu bastante (e isso não tem a ver com a idade) e já quebrou a cara entende essa música. Fala de amor claro. Mas não daquele que a gente ama alguém ou algo por isso ou por aquilo. Aquele amor “apesar de” sabe? Pra mim é essa hora que ele se mostra de verdade. É o amor dos amigos, das famílias, dos grandes amantes. Mesmo com aquele monte de defeito, a gente vai e escolhe ele.

Observação: É quase que uma prévia de “Aquela dos 30″, ideal pra ouvir no caminho de encontrar alguns amigos. Daquelas amigos felizes na medida certa, que te dão uma injeção de ânimo.



  Por fim, mas nem um pouco menos importante, a faixa que abre o disco e é carro chefe do EP. “Aquele dos 30″, feita em parceria com o marido da Sandy, Lucas Lima, a faixa fala de forma bem-humorada as crises de quem tem 30 anos, ainda com sonhos adolescentes, mas já com dor nas costas. Triste? Somente se você ainda não está perto dos 30 e não sabe do que ela está falando. Pois quem sabe, entende que as dores são como cicatrizes, existem para termos certeza de que o que foi vivido foi real.

  Observação: Para ouvir e rir com os amigos, de preferência na quinta ou sexta-feira, depois de trabalhar demais a semana toda.



Fonte: Dani Gonçalves - Jornalista, batuqueira e amante da cultura popular brasileira, acha que só a música salva e tem certeza que sua alma é pernambucana.